BOTOX: COMO FUNCIONA E QUAL O SEU USO? — COM VÍDEO

A toxina botulínica é uma potente neurotoxina produzida pelo Clostridium botulinum, um bacilo gram-positivo, anaeróbio estrito, que pode ser encontrado no solo e, também, na água. Considerada como a substância mais letal conhecida atualmente, a toxina botulínica possui dose letal média de 1 nanograma de toxina por quilograma de peso corporal – HOROWITZ, 2005.

Assim, apesar da toxina botulínica ser considerada como uma das substâncias mais tóxicas da natureza, ao longo dos anos, tem-se explorado o potencial terapêutico desta neurotoxina, que vem sendo utilizada para o tratamento de enfermidades neurológicas, oftálmicas e também com finalidade cosmética.

Toxina Botulínica tipo A – Dysport – Mecanismo de ação:

Os estudos científicos sobre o botulismo se iniciaram em 1817 com as investigações realizadas pelo médico e poeta alemão Justinus Kerner (1786-1862), que descreveu clinicamente e em detalhes o botulismo.
Desde os estudos de Justinus Kerner em 1822, era especulada a possibilidade de uso terapêutico da toxina botulínica em condições de hipercontração muscular, hiperidrose e hipersalivação, uma vez que nos pacientes com botulismo foi observado sintomas relativos ao bloqueio neuromuscular autonômico e periférico.
BOTOX_ORTOBLOGNo século XX, Alan Scott publicou, em 1973, um trabalho resultante de experimentos com primatas não humanos nos quais usou injeção de toxina botulínica tipo A nos músculos oculares para o tratamento do estrabismo. Alguns anos depois (1977-1981), Scott publicou os resultados do tratamento do estrabismo em humanos com a toxina botulínica. A partir de então, o uso terapêutico da toxina botulínica tipo A foi consolidado, com o surgimento do produto farmacêutico denominado Oculinum®, posteriormente e até os dias de hoje, denominado de Botox®

A toxina botulínica (BTX) apresenta sete sorotipos, designados de A-G, apresentando algumas diferenças em seu sítio de ligação.
O botulismo clínico em humanos é causado pelos sorotipos A, B, E, F e potencialmente pelo G.
A toxina sorotipo A foi a primeira a ser isolada e purificada e é a mais comumente utilizada para fins terapêuticos (DUTTON, 1996). Apesar da toxina A ser amplamente usada, a toxina B vem sendo empregada para fins estéticos (SALTI, 2008). O sorotipo B foi aprovado pelo FDA/USA para utilização na distonia cervical (LAM, 2003).

Nos últimos 20 anos, a toxina botulínica tipo A tem sido usada para o tratamento de uma variedade de desordens caracterizadas
por contração inapropriada e involuntária dos músculos estriados e lisos. Esta toxina está aprovada pela FDA para o tratamento de blefaroespasmo (contração involuntária dos músculos do olho), estrabismo, distonias cervicais (desordem neuromuscular envolvendo a cabeça e o pescoço) e recentemente para o tratamento das linhas glabelares e hiperidrose axilar primária severa. Outros usos da toxina botulínica tipo A que são amplamente conhecidos, mas não aprovados pela FDA, incluem desordens espásticas associadas com injúria ou doença do sistema nervoso central tais como: trauma, derrame, esclerose múltipla, paralisia cerebral e distonias focais afetando os membros, a face, a mandíbula e as cordas vocais. O tratamento e a prevenção das dores de cabeça crônica e dores músculo esqueléticas estão emergindo com o uso dessa toxina (CHARLES, 2004).

Desde que a BTX foi descoberta, tem-se estudado o potencial terapêutico desta toxina. Apesar de ser a substância mais tóxica atualmente conhecida, a BTX apresenta-se segura quando utilizada dentro das doses preconizadas para as indicações clínicas e estéticas. O maior obstáculo para o uso da BTX é, sem dúvida, o alto custo do tratamento. Porém, outro obstáculo vem surgindo, que é BOTOX ORTOBLOGa imunorresistência à BTX, que ocorre mais comumente em pacientes que utilizam grandes doses do produto ou não respeitam o tempo mínimo de intervalo entre as aplicações. Apesar do grande número de indicações clínicas na atualidade, ainda há potencial para uso da BTX em outros cenários, e isto deverá ocorrer à medida que a compreensão dos aspectos moleculares da BTX for avançando, bem como os aspectos patofisiológicos de determinadas patologias puderem ser relacionados ao uso da BTX como tratamento.

FONTE:
01 – TOXINA BOTULÍNICA: DE VENENO A TRATAMENTO – Botulinum toxin: from poison to treatment
REPM – volume 3 – no. 1 – Jan – Mar 2009
Tatiana Paschoalette Rodrigues Bachur, Denusa Moreira Veríssimo, Marta Maria Caetano de Souza, Silvânia Maria Mendes Vasconcelos, Francisca Cléa Florenço de Sousa.
02 – VÍDEO: CANAL DO YOU TUBE: Mecanismo de acção do Botox – Dentarmed Clínica Médica Dentária.
03 – VÍDEO: CANAL DO YOU TUBE: Toxina Botulínica tipo A – Dysport – Mecanismo de ação – MMCAFEWEB

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