ESCOLHA DO EDITOR — Os Exames de Imagem e Suas Indicações

Desde que Röntgen descobriu “um novo tipo de radiação”, no longíquo ano de 1895, a Medicina e a Odontologia foram revolucionadas: já era possível ver o corpo humano por dentro. Naquela época as imagens obtidas ainda eram de qualidade ruim para o auxílio diagnóstico e a tomada radiográfica muito pouco segura para o paciente mas, mesmo assim, abriu-se um mundo novo de possibilidades. Você, endodontista, já se imaginou tratando um canal sem radiografia? Pois é.

“Exame de imagem” é uma expressão muito ampla, que engloba uma série de técnicas e modalidades, algumas que envolvem radiação ionizante (os Raios X) e outras não. E o cirurgião-dentista (seu paciente, mais especificamente) pode se beneficiar de quaisquer delas. Vale a correta indicação e a relação custo-benefício para o paciente. E aí é que está.

De forma geral (e gostaria que isso não fosse visto como uma tabela de “que exame pedir se meu paciente tiver…”, pois todo exame pode ser útil se o dentista souber indicá-lo), os exames de imagem mais usados em Odontologia são:

 Extrabucais:

  • Radiografia panorâmica: um nome menos usado para esse tipo de tomada radiográfica é ortopantomografia. É a radiografia apropriada para se obter uma imagem “geral” de maxilas e mandíbula. Usada na avaliação das dentições, acusa a ausência de elementos dentários, serve como auxílio na avaliação do suporte ósseo periodontal, demonstra o posicionamento de terceiros molares inclusos / retidos /impactados, etc..
  • Telerradiografia em norma lateral: muito usada como base para o traçado cefalométrico de pacientes ortodônticos. Útil na avaliação de adenóides, processos patológicos e traumatismos.
  • Telerradiografia póstero-anterior (PA) de crânio: permite avaliar o crescimento lateral do crânio e detectar assimetrias e velamento / anormalidades dos seios da face (nesse caso, projeção de Waters, uma variação de posicionamento do paciente). Auxilia no planejamento ortodôntico, na avaliação de pacientes com politraumatismos e em cirurgias ortognáticas.
  • Radiografia de ATM: para avaliação da articulação temporomandibular e seus contornos anatômicos (cabeça de mandíbula, fossa articular e limite articular anterior), além da visualização do posicionamento da cabeça da mandíbula (antigo côndilo) em relação à fossa articular durante a oclusão ou abertura máxima da boca, tudo registrado numa mesma película.

Intrabucais: 

  • Radiografia periapical: como o nome sugere, procura visualizar de forma mais detalhada o ápice radicular e possíveis patologias associadas a ele, além do espaço do ligamento periodontal (sim, “espaço”, o ligamento periodontal em si não pode ser visualizado em qualquer radiografia) e a crista óssea alveolar.
  • Radiografia interproximal:  útil na investigação de cáries e outras patologias relacionadas às coroas dos dentes.
  • Radiografia oclusal:  útil na investigação de patologias intra-ósseas e posicionamento de dentes inclusos, por exemplo.

Essas seriam indicações gerais, é claro, não nos limitemos a elas :). Isso sem contar a tomografia computadorizada cone beam, que fornece quaisquer cortes que sejam necessários (muito útil na implantodontia) e a ressonância magnética (que não utiliza radiação ionizante, é uma espectroscopia, indicada para a observação de tecidos moles).

Quando alguém vai iniciar um tratamento ortodôntico, por exemplo, é praxe que se peça à pessoa que ela providencie a documentação. Hoje muito se fala em cefalometria 3D, que parece ser o próximo passo no diagnóstico e plano de tratamento ortodôntico, já que tira a análise do plano bidimensional e considera outras características do paciente, como assimetrias faciais, por exemplo, além de fornecer dados mais concretos. Porém, esse tipo de exame exige que o paciente se submeta a uma tomografia computadorizada, que o expõe 4 vezes mais à radiação ionizante do que uma radiografia panorâmica.

E aí, vale à pena? Todo paciente deveria ser submetido a uma cefalometria 3D porque é “mais moderno”? Na minha opinião, vale a discussão, a correta indicação e, principalmente, que se considere a relação custo-benefício para o paciente (o principal). Com esse exemplo, o que quero dizer é: embora alguns exames de imagem sejam classicamente utilizados para determinados fins, pode-se variar DESDE QUE o profissional que pede o exame saiba indicá-lo com conhecimento de causa, sempre procurando o benefício do paciente.

E se você quer ter um livro muito bom de Radiologia, recomendo este: Radiologia Oral, de Stuart White e Michael Pharoah. A obra faz uma abordagem clara e objetiva da radiologia bucal e maxilofacial, desde o básico da física da radiação, radiobiologia, radioproteção e segurança, até imagens técnicas e interpretação radiográfica das patologias. São mais de 1.000 radiografias e ilustrações de alta-qualidade, além de imagens de ressonância magnética e tomografia computadorizada. É um guia prático tanto para o dentista clínico quanto para o especialista.

POST ORIGINAL — CETROBLOG

Ana Tokus

É cirurgiã-dentista formada pela Universidade Federal do Paraná, especialista em Radiologia e Imaginologia Odontológica. Autora dos blogs Medo de Dentista e OdontoDivas.

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